NAS TETAS DO SISTEMA
CAP.I
Subi no ônibus, de cara me deparei com o motorista usando óculos escuros e camiseta de firma, provavelmente privatizada pelo Estado. Opa que maravilha, então a condução é de ótima qualidade, com certeza nos projetos e licitações até a ficha do colarinho é limpa. Cansei de rir, são tudo uma piada ruim. Ele nem quis saber, mal pisei na condução e a porta bate nas minhas costas, logo de cara tenho que sair me espremendo para poder dar uma respirada, olhando ao lado e vejo uma mãe com uma criança chorando. Aquele silêncio pairava entre espirros e tosse. Depois de um tempo tentando passar na catraca, enfim chego.
- Bom dia.
- 3 reais e VAI RÁPIDO que isso aqui tá lotado.
Meu dia de cão estava começando e pelo jeito de muita gente estava também e descontando a fúria do sistema em qualquer um. Beleza, condução privatizada, será tudo numa boa, só para quem é ignorante e se deixar cegar. Todo mundo olhando com a cara de’'não fale comigo’'. Meu ponto estava chegando e eu já estava prestes a sair de uma lavagem de dinheiro de votos, nem sequer tinha a tal corda para sinalizar o motorista, tinha que gritar mesmo. Meu ponto passou e não desci, desci daquele inferno de rodas no próximo ponto e de repente sou parado por ambulantes vendendo tranqueiras.
Caralho, todo mundo com a vida fudida se virando para tentar ganhar uma porra de um trocado e sobreviver um dia aqui, outro lá e do outro lado da moeda está o deputado colocando sua grana na meia, cueca e enfiando no cú. Por que essas merdas não usam os meios públicos para sobreviver?
Porque ele próprio sabe que é uma porra ejaculando merda instantaneamente, a grana que era para construir uma U.T.I foi no iate, enquanto a pobre da velha morre sem saber o motivo, ela só mais uma de tantas que já foram e serão empacotadas.
Vou para São Paulo lá serei o cara, terei tudo, meus sonhos serão meu presente, de trabalho arranjou um bico, a casa se transforma em um calçadão público, cama? O papelão da TV digital do magnata serve de divisão entre o chão pisado e o corpo coberto de lágrimas, decepções e arrependimento. De feirante a camelo, hoje rouba a venda da esquina. A profissão é ladrão, sou marginal sou o filho da falha do sistema -isso é o seu Brasil, essa é a sua cara, o Brasil tem a sua cara.
Voltando a realidade, continuei andando. Mas calma, isso é a realidade mas poucos enxergam. É uma alienação total. Lógico, a mídia domina sua mente, a lavagem do diabo, quem suborna o Diabo vive com Deus. Passei em frente dum boteco e ela estava lá, a TV passando aqueles programas de boquinha da garrafa, teste de não sei o quê, caso de DNA o caralho a quatro e todo mundo lá com a pinga na mão, jogando o cérebro no lixo. As buzinas comem soltas, AHHHHHH que loucura, já nem sei mais a onde vou.
E quem disse que eu não sou a falha do sistema também? Saquei meu canhão e entrei na primeira loja de grife, assim foi.
porra mano, tá profissional. Muito bom!
ResponderExcluiresse história só tem esse capítulo?
ResponderExcluirgostaria de conhecer a continuidade...